O nosso sal diário: orientação nutricional para o tratamento da tireóide

Ouvimos muitas histórias sobre a glândula tiróide. Geralmente, quando tratada a tempo, a doença da tireóide não deixa sequelas, e não pode ser responsabilizada por qualquer um dos sintomas descritos acima. Mais mitos do que verdades. A verdade é que ele não é tão vulnerável que é acessível à investigação médica e seu diagnóstico e tratamento são fáceis. Geralmente, ela leva à fama porque nós colocamos peso, estamos cansados, nosso cabelo está caindo, estamos sonolentos, nossas unhas estão quebradiças e estamos retendo líquidos.

A razão para tanta fama não é: aumento da incidência e diagnóstico de doenças da tireóide, principalmente nódulos e hipotireoidismo e deficiência na produção de hormônios da tireóide. “Quase todo mundo conhece alguém com alguma doença da tireóide e a maioria dos endocrinologistas encontra pelo menos um paciente com alguma disfunção tireoidiana todos os dias”, diz a endocrinologista, Pamela Paiva.

“Inicialmente, o problema era a falta de ingestão de iodo, e atualmente podemos apontar como desencadeadores da doença o excesso de suplementação de iodo no sal. Entre os fatores mais importantes para o surgimento de novos casos de doenças da tireóide estão os fatores nutricionais. Muitos deles foram estudados e, sem dúvida, a ingestão de iodo é o centro das atenções. O fato é que qualquer desequilíbrio na ingestão desse elemento pode constituir um risco para a manutenção da produção de hormônios tireoidianos”, adverte o médico.

Estudos científicos recentes também têm apontado para o surgimento de doenças da tireóide relacionadas a fatores nutricionais. O primeiro alimento relacionado à indução de doenças da tireóide é a soja, bem como seus derivados, a ser nomeada como responsável por diversas publicações científicas para induzir o aumento do volume da tireóide e favorecer o aparecimento de bócio em animais de laboratório e em crianças alimentadas com leite de soja.

“Um estudo publicado este ano revelou uma maior incidência de hipotireoidismo em áreas da ilha de Hokkaido, no norte do Japão, e relacionado a esse aumento no percentual de pacientes com maior ingestão de iodo na forma de algas por essa população. O médico explica que quanto mais profunda for a água onde as algas são retiradas, maior será a salinidade e a quantidade de iodo presente nas algas. “Outros alimentos que favorecem o desenvolvimento da doença são as algas, amplamente utilizadas na alimentação japonesa, e atualmente também amplamente consumidas pela população ocidental, especialmente em grandes centros como São Paulo”, diz a endocrinologista Pamela Paiva. Usada como tempero e adorno na culinária japonesa, a comida pode levar ao corpo até 20 mil microgramas de iodo por dia, quando a quantidade recomendada para humanos é de 1000 mcg.

Consumo equilibrado

Praticamente todo o iodo que está presente no corpo humano é absorvido pela glândula tireóide a partir do sangue. Na idade adulta, ela se espalha para a geração de pessoas totalmente incapazes da vida social, da aprendizagem e do trabalho”, diz a endocrinologista Pamela. Para garantir a produção de hormônio da tireóide, a tireóide precisa de iodo, geralmente de alimentos e água. “Na gravidez e na infância, a deficiência de iodo atinge sua marca mais terrível: retardo mental. No entanto, a concentração de iodo no solo e na água é muito variável, e quando é baixa, fornece uma doença de deficiência muito comum em várias regiões do mundo: o bócio endêmico.

Até então, as leis e decretos federais que exigiam a adição de iodo ao sal não eram cumpridos, e o que vimos foi a doença persistente e carente. Os estados de maior risco eram Maranhão, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Rondônia e Acre. No Brasil, vários levantamentos populacionais sobre deficiências de iodo, até 1995, apontavam para as regiões do oeste do país, como o aumento da prevalência de bócio endêmico.

Em março de 1995, o governo federal aprovou a Lei nº 9005/95, na qual o Ministério da Saúde, que seria responsável pela distribuição de iodo para a indústria salineira, que, por sua vez, deveria adicionar sal, nas proporções estabelecidas pelas autoridades sanitárias. Nos últimos anos, tem sido possível manter quase todo o sal para consumo doméstico e uso animal, com a necessária suplementação de iodo. Isto teve um impacto positivo nos estados acima mencionados. Tem havido uma diminuição do bócio em crianças e uma melhoria da função da glândula tireóide nestas regiões.

Segundo o médico, os medicamentos disponíveis no mercado brasileiro têm composição idêntica ao próprio hormônio tireoidiano e podem ser utilizados para fazer um bom substituto no organismo. Uma deficiência na produção de hormônios da tireóide, o hipotireoidismo é tratado com suplementação do hormônio levotiroxina.

No caso do hipertireoidismo induzido por iodo, muito mais raro em nosso meio do que o hipotireoidismo, o tratamento é feito a partir da regulação e controle da ingestão de iodo, bem como com o tratamento dos nódulos que os pacientes tinham.

Em outros, pode desencadear inflamação crônica da glândula tireóide, com a produção de anticorpos anti-tireoidianos. “O excesso de iodo na dieta pode ser prejudicial de muitas maneiras. Em alguns pacientes, pode desencadear a produção excessiva de hipertireoidismo dos hormônios da tireóide. Como medida preventiva, recomenda-se que monitoremos continuamente a quantidade que ingerimos diariamente desta substância”, diz o endocrinologista.